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Pela primeira vez no mundo, onças-pintadas são reintroduzidas com sucesso em MS

Irmãs passaram pelo processo após ficarem órfãs e já geraram descendentes no Pantanal

06/01/2021 08h22
Por: Redação
Fonte: Mídiamax
Fera e um de seus filhotes no Pantanal de MS. Detalhe para o rádio-colar utilizado para monitorar animais. (Foto: João Bachur / Onçafari / Divulgação)
Fera e um de seus filhotes no Pantanal de MS. Detalhe para o rádio-colar utilizado para monitorar animais. (Foto: João Bachur / Onçafari / Divulgação)

Pela primeira vez no mundo, a reintrodução de s-pintadas é feita com sucesso. O resultado é considerado positivo quando os animais geram filhotes e isso aconteceu com as irmãs Isa e Fera, que passaram pelo processo e geraram descendentes, totalizando oito animais a mais na natureza até dezembro de 2020. Elas são monitoradas no Refúgio Ecológico Caiman, em Miranda.

As s-pintadas perderam a mãe e passaram pelo processo de reintrodução em 2014 pelo projeto Onçafari. O processo durou exatamente um ano e, durante esse tempo, Isa e Fera foram observadas, estimuladas para aprenderem a caçar e, pouco a pouco, foram se tornando cada vez mais aptas à vida na natureza. Quando chegou o momento de soltura, ambas receberam um rádio-colar individual para monitoramento.

“O sucesso acontece quando os animais soltos geram descendentes, que, por sua vez, devem ser férteis. O processo começou a gerar resultados em 2018, com o nascimento dos primeiros filhotes em vida livre. Em 2020, nasceram as segundas crias e a Isa ainda se tornou avó, confirmando o êxito da reintrodução. No total, são três filhotes da Fera e dois da Isa, que também ganhou um neto. Sendo assim, são oito s a mais no . É a primeira vez no mundo que este tipo de iniciativa deu certo”, destaca Lilian Rampim, bióloga do Onçafari.

Como funciona?

O processo pode durar cerca de um ano ou até mais, dependendo das especificidades de cada caso, sendo uma importante ferramenta para a recuperação de populações em risco de extinção. Maior felino das Américas e terceiro maior felino do mundo, atrás apenas do tigre (Panthera tigris) e do leão (Panthera leo), a -pintada (Panthera onca), por exemplo, é considerada “quase ameaçada” pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza).

Assim que acontece o , são avaliados a saúde e o comportamento dos animais e verificado se há condição de reintroduzi-los com sucesso à vida selvagem. “Em seguida, os felinos são inseridos em uma área de semi-cativeiro, com as mesmas características do habitat natural, para que possam aprender a caçar e interagir com o ambiente como qualquer animal selvagem. Trata-se de um espaço onde podem ser observados, compreendidos e avaliados constantemente pelos coordenadores do projeto”, explica Mario Haberfeld, fundador do Onçafari.

Se considerados aptos para serem reintroduzidos na natureza, os animais são equipados com rádio-colares dotados de GPS para o monitoramento após a soltura, e reintroduzidos no habitat natural. “O Onçafari monitora as s para avaliar se estão conseguindo lidar com os desafios na natureza. No caso de não se adaptarem, há um novo . Entretanto, essa ação não foi necessária até o momento”, ressalta Haberfeld.

Cacau

Primeira -parda sob os cuidados do Onçafari, a Cacau foi acolhida pelo projeto no segundo semestre de 2020, no , depois de viver toda a vida em um espaço de poucos metros quadrados. Arisca e independente, o que contribui para o processo, a Cacau está passando por um trabalho intenso de observação comportamental somado ao treinamento para a caça, com a expectativa de que em breve se integrará novamente ao seu habitat.

“A fragmentação de habitats, a caça em retaliação à predação de animais domésticos e de corte, e a perda de áreas de floresta em razão da ação humana são as principais ameaças às s. Áreas desmatadas para a produção agropecuária e a expansão de cidades diminuem as áreas de vida desses predadores, diminuindo também a disponibilidade de presas naturais. Por isso, acreditamos ser fundamental esse trabalho de  e reabilitação dos animais, associado com ações educativas para que a população entenda a importância de cada indivíduo no ecossistema”, finaliza Haberfeld.

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