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VAZAMENTO DE AMÔNIA

MPT vê falhas e dá 30 dias para que frigorífico da JBS em Dourados promova adequações

22/03/2023 07h19
Por: Redação
Fonte: Douradosnews
FOTO DIVULGAÇÃO
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A divisão de Perícias do Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul (MPT-MS) apontou que o vazamento de amônia ocorrido no último dia 28 de fevereiro, na Seara, em Dourados, teve origem em falhas identificadas no sistema de refrigeração. Muitos trabalhadores que estavam nas áreas interna e externa da indústria foram atingidos pelo gás, sendo que 33 deles necessitaram de atendimento hospitalar.

Diante disso, o órgão deu prazo de 30 dias para que a empresa promova as adequações necessárias, a contar do dia 15 de março, quando houve a entrega do relatório técnico.

Segundo informações prestadas à perícia por funcionários do frigorífico, o incidente foi provocado por uma oscilação de tensão na rede pública de energia elétrica.

"Essa instabilidade, a princípio, ocasionou falhas no painel de comando localizado na casa de máquinas e a abertura da válvula de segurança de um dos compressores que integram o sistema de refrigeração por amônia. Com isso, o gás proveniente da válvula foi encaminhado pelo suporte de coleta até o tanque de água situado na parte superior da casa de máquinas, possibilitando seu espalhamento na atmosfera e em diversos ambientes de trabalho e áreas externas da indústria, sem o devido tratamento", diz o comunicado do MPT-MS.

A amônia que vazou no frigorífico é um produto químico perigoso, corrosivo para a pele, olhos, vias aéreas superiores e pulmões.

“Para que não haja o risco de intoxicação dos trabalhadores, deve-se providenciar uma tubulação específica de coleta e descarga do fluido para a atmosfera, tanque de água ou outros sistemas de tratamento”, orientou o perito em Engenharia de Segurança do Trabalho do MPT-MS, Luiz Carlos Alves da Luz, responsável pela inspeção.

Ao listar os principais fatores que cooperaram para a ocorrência do acidente de trabalho, o perito sublinhou que o tanque de água onde aconteceu a descarga de amônia também apresenta irregularidades.

“O lançamento do gás ocorreu em local impróprio, enclausurado por paredes e outras estruturas da indústria, e situado em cota bastante inferior aos pontos mais altos das coberturas das edificações próximas (cerca de 10 a 15 metros abaixo)”, acrescentou Luiz Carlos Luz.

Essas conclusões fazem parte de um relatório finalizado pela perícia, que ainda apontou a existência de diversas obras de ampliação na indústria com saídas de emergência provisórias sem sinalização de rota de fuga e Plano de Resposta a Emergências elaborado pela Seara sem previsão de todos os possíveis cenários, com base em análise de riscos e descrição de medidas de segurança ou controle para resposta a cada evento.

Por fim, o perito finalizou o relatório indicando a ausência de controle remoto dos equipamentos mecânicos da casa de máquinas, situado no lado de fora e junto à porta de saída do setor, capaz de desligar todos os equipamentos de uma só vez, em caso de emergência; falta de dispositivo de parada de emergência, automático e/ou manual, que possa desligar todo o sistema de compressores de amônia, simultaneamente, assim como inexistência de sistema de segurança ou dispositivo que impeça que os compressores permaneçam continuamente ligados quando os condensadores estiverem desligados.

O documento traz, ainda, uma série de recomendações direcionadas à correção das irregularidades constatadas na inspeção, de modo a evitar que outros acidentes semelhantes aconteçam ou sejam agravados pela insuficiência de medidas de segurança.

Dourados News procurou a assessoria de imprensa da JBS. Em nota, a empresa disse que: "a JBS tem compromisso inegociável com a segurança de seus colaboradores. A Companhia colabora com as autoridades no caso em questão e atua constantemente na melhoria de processos para garantir um ambiente de trabalho cada vez mais seguro". 

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